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O Varejo se aproxima dos consumidores - e todo mundo ganha

16/01/2016

 

Anos atrás, a relação entre indústria e varejo foi revolucionada pela ideia de aproveitar os dados diários das vendas e de inventário de cada loja para otimizar seu abastecimento. Percebeu-se que, repassando tais dados do varejista aos fornecedores, era possível minimizar o efeito chicote ao longo de toda a cadeia de suprimento. Hoje, iniciativas atreladas ao e-commerce indicam que o setor se prepara para dar um passo a mais, de monitoramento da demanda onde ela de fato nasce: na casa dos consumidores.

 

A visualização do nível de estoque em loja, concomitante ao acompanhamento das vendas diárias, permitiu que empresas como o WalMart alavancassem seus negócios, baseados em preço baixo e alto nível de serviço. Claro que no caso específico do WalMart o volume das transações desempenha papel fundamental ao cumprimento de sua estratégia, mas o fato é que a otimização das compras permite reduções de custo, seja qual for a estratégia do varejista. A lógica por trás do Vendor Managed Inventory é simples: se um fornecedor consegue visualizar quantas unidades de seu produto um cliente possui em estoque e ainda prever qual será a demanda dos próximos dias, ele também consegue calcular o tamanho e o momento de chegada ideais do próximo pedido, evitando rupturas. Assim, o fornecedor consegue planejar melhor sua produção e o lojista consegue preços mais baixos por isso, ganhando competitividade. Tendo tal lógica em mente, fica fácil perceber que o varejista ganharia vantagens se pudesse visualizar a despensa e a taxa de consumo dos seus clientes.

 

De fato, já faz algum tempo que o varejo tenta monitorar a demanda mais de perto, oferecendo a programação antecipada de entregas mensais, por exemplo. Várias lojas do e-commerce brasileiro oferecem este tipo de serviço – eu, por exemplo, uso a compra programada para adquirir ração e anti-pulgas para a minha cadelinha, assim eu não preciso me preocupar com a falta destes itens. Recentemente, a paulistana HomeRefill foi mais além, criando um negócio inteiramente focado em produtos de consumo regular: o consumidor cria uma lista de compras mensais, escolhe em qual dia e semana do mês gostaria que seus produtos fossem entregues, e passa a recebe-los regularmente. Além da conveniência, o serviço ainda oferece preços baixos, aproveitando-se da maior facilidade em prever a demanda para este tipo de negócio. O consumidor ganha, o empresário e o fornecedor também. Mas por que parar por aí, uma vez que nós consumidores estamos cada vez mais conectados e nossas casas cada vez mais automatizadas?

 

Imagem: http://img.deusm.com/ebnonline/2015/08/278441/network-782707.png

 

Foi pensando nisso que a Amazon lançou no ano passado o Amazon Dash Replenishment Service (ADRS). Talvez você tenha ouvido falar de um dos produtos deste programa, o Dash Button: um pequeno botão que gera pedidos toda vez que é acionado, também para produtos de consumo regular. Por exemplo, você poderia colocar este botãozinho preso à sua máquina de lavar e, ao notar que o sabão está acabando, aperta-lo para fazer um pedido automaticamente (a quantidade e o tamanho da embalagem são escolhidos de antemão). Se para o consumidor isto pode parecer um sonho, para a empresa talvez seja mais incrível ainda: a fidelização do cliente é garantida, a demanda fica mais perene e a empresa pode ofertar uma vantagem exclusiva para seus fornecedores, pois cada botão é atrelado a uma marca. Não se sabe ainda qual foi o impacto desta iniciativa nas operações da Amazon, mas o Dash Button está no mercado há apenas um semestre e a empresa já está lançando um novo aparelho, voltado a produtos alimentícios vendidos pela Amazon Fresh. Com este novo gadget o consumidor emite um pedido por comando de voz ou utilizando o leitor de código de barras. Incrível, não?
 

 Propaganda do Dash Button


(Fonte da imagem: http://o.aolcdn.com/hss/storage/midas/145b4823da1e56f17b3c5ae0f799374f/201766831/tide-dash-630.jpg)

 

“Mas isso não é tudo!” - não mesmo. No ADRS, a parceria com fornecedores também está apoiando o desenvolvimento de equipamentos que meçam a taxa de consumo de determinado item e gerem novos pedidos de maneira automática, de forma que aquele item nunca falte. De filtro d’água a máquinas de café, passando por alimentadores de bichos de estimação, os projetos iniciados são bastante interessantes. Para a indústria, os impactos na cadeia de suprimentos são óbvios: a transparência na cadeia permitirá diminuir custos, aumentar nível de serviço e traçar perfis de consumo muito mais acurados.

 

Em suma, a internet das coisas vem gerando oportunidades de melhorias no planejamento e gestão das cadeias de fornecedores, pela maior visibilidade da demanda. Se antes a cadeia de suprimentos ia da extração de matéria-prima até o ponto de venda ao consumidor final, hoje é possível estendê-la até o ponto de consumo de fato. A implantação de novas ideias requer estudos prévios, mas as possibilidades de crescimento são muitas, tanto para os negócios com estratégia de baixo preço como para os que focam em alto nível de serviço e comodidade.

 

 

Fontes não citadas:

 

1ª Imagem: https://media.licdn.com/mpr/mpr/p/6/005/089/21a/365db3b.jpg

 

https://fresh.amazon.com/dash/

 

http://www.industryweek.com/inventory-management/amazon-dashes-make-consumers-and-their-supply-chains-leaner

 

https://www.amazon.com/oc/dash-replenishment-service

 

http://www.valor.com.br/cultura/blue-chip/4189076/eles-assumem-compras-sem-graca-e-entregam-tempo

 

http://veja.abril.com.br/noticia/vida-digital/aplicativo-faz-as-compras-do-mes-para-os-clientes-e-garante-menor-preco-nos-produtos/

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