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Economia Colaborativa no Transporte Urbano

07/01/2016

O intenso debate sobre o Uber nas cidades do Brasil levanta questões importantíssimas sobre o papel do estado na regulação da sociedade. Se por um lado, ele pode ser importante para garantir determinado serviço, por outro, pode atrapalhar e atrasar serviços, iniciativas e até a própria sociedade. Independente de questões ideológicas, no que tange a maior ou a menor regulação do estado, os debates sobre o Uber evidenciam a ponta de um problema muito maior no cenário de grandes metrópoles: o transporte urbano.

 

É consenso a necessidade de aumento da oferta e melhoria do transporte público, principalmente aqueles mais tradicionais como ônibus, metrô, trens, etc. O que está sendo evidenciado é que apenas este foco não é suficiente para suprir as demandas da sociedade, devido ao imenso atraso que enfrentamos na infraestrutura de tais modais. Outra solução que poderia aliviar o sistema  é que carros sejam utilizados de forma coletiva. Inclusive, no novo Plano Diretor de São Paulo, existe uma emenda criando uma nova modalidade de transporte particular, o sistema de compartilhamento de veículos e viagens.

 

 

 

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 FONTE: https://blog.fuelup.co/wp-content/uploads/2015/09/sharing-economy-fcra.jpg


Na prática, isso divide os carros entre os que servem à apenas uma pessoa e os que servem a mais de uma pessoa. O Uber está em evidência hoje, mas há também iniciativas voltadas ao aluguel de carros compartilhados, ou até sistemas de compartilhamento de viagens como o oferecido pelo aplicativo Waze em Tel Aviv desde meados de 2015.

 

Aliás, mesmo que consideremos o serviço tradicional de táxi, onde a pessoa troca o carro particular por um carro de terceiro para um trajeto, este carro particular que saiu da rua não ocupa uma vaga de estacionamento, o que já é vantajoso pra sociedade.  No caso de aplicativos como o UberPool a ideia é dividir a “corrida” com outras pessoas, permitindo que o Uber desvie um pouco da rota e pegue outro passageiro, diminuindo ainda mais os carros das ruas. O RideWith, com o Waze, tem a proposta de que rotas diárias, que aconteceriam de qualquer maneira e são sobrepostas, possam ser juntadas, mostrando pessoas da sua rede de amigos que fazem o mesmo trajeto e possibilitando mais caronas, tirando carros da rua.

 

Existem ainda as opções de caronas intermunicipais, como os aplicativos Tripda e BlaBlaCar, mais conhecidas entre estudantes.


Futuramente, inovações como o carro autônomo da Google podem se tornar o novo passo para o setor de táxis, ou mesmo para o Uber.


Do ponto de vista operacional, todas estas iniciativas permitem maior ocupação de recursos. É este o princípio do car sharing oferecido pela empresa Fleety, por exemplo, em que o usuário aluga o carro de uma pessoa física somente pelas horas que precisar.

 

A melhor utilização dos recursos permite a redução de custo, que pode ser significativa. Segundo coluna do economista e professor da FGV, Samy Dana, para quem roda 20 km diários em São Paulo com carro próprio seria possível economizar ao redor de 18% com o UberX, 3% com o táxi ou gastar 18% a mais utilizando o UberBlack. A economia pode ser ainda maior com o UberPool, cuja promessa é de redução mínima de 20% sobre a tarifa do UberX, podendo custar 34% menos que o carro próprio. Isto sem contar a comodidade de não se preocupar com estacionamento, multas, acidentes ou bebidas alcoólicas.

 

O potencial de ganhos em compartilhamento de recursos não é exclusivo do transporte de pessoas. A Gadle, por exemplo, propõe o uso de redes colaborativas para entregas urbanas, revolucionando toda a ideia tradicional de logística de carga. A empresa consegue, com a colaboração, diminuir o número de veículos nas ruas através da otimização de viagens e roteiros. Para tal, oferece um sistema completo de gestão do transporte, roteirização e acompanhamento de entregas, resultando em prazos menores e custos mais acessíveis.


Hoje se fala, inclusive, na possibilidade de vias exclusivas para carros com mais de um ocupante, como forma de incentivar a retirada de veículos das ruas. Independente de concordar ou não com a iniciativa, vemos um debate muito mais inteligente que o posto anteriormente, de “Guerra aos Carros”. Hoje o debate sobre o uso de veículos é inserido de forma complementar a necessidade clara de melhor transporte público.

 

Todos estes exemplos de transporte fazem parte do que vem sendo chamado de economia compartilhada, que se tornou uma nova fase do capitalismo, em oposição à anterior de consumismo exacerbado. Estamos vivenciando um momento que a visão de bens, serviços e da própria sociedade está sofrendo uma forte mudança graças ao intenso uso de tecnologia aplicada em problemas cotidianos, melhor alocação de recursos, maior disponibilidade de serviços e maior sustentabilidade em processos.  


Esta nova visão  se mostra um imenso celeiro para o setor de inovação, principalmente em grandes centros urbanos. Porém muitas vezes carece de legislação específica, como no caso do Uber ou mesmo os veículos autônomos da Google, levantando debates que opõe interesses de coletivos com o interesse público. Mas enquanto se discute a legalidade, são inquestionáveis os avanços propiciados por essa visão completamente diferente de sociedade, mais conectada e dinâmica.

 

FONTES:
 

https://www.waze.com/he/ridewith


https://www.google.com/selfdrivingcar/
http://www.gadle.it/
https://www.uber.com/pt/
https://www.fleety.com.br/
http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2015/09/1685439-trocar-carro-proprio-por-taxi-ou-uber-pode-ser-vantajoso.shtml
https://www.tripda.com.br/

 

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