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O caminhão é o vilão?

16/04/2015

 

Prezado, gostaria de te convidar para um breve exercício: tente se lembrar, rapidamente, quando você fez sua última viagem de trem (na Europa não vale, heim!). Agora, mentalize sua última viagem de barco (para locomoção, pode esquecer seu cruzeiro roundtrip)...

 

Pois bem, dependendo da sua idade, você provavelmente nunca se locomoveu no Brasil nem de trem, nem de barco. Fique tranquilo, pois, cerca de 95% das viagens de passageiros no país são realizadas pelo modal rodoviário. Somos um país rodoviarista por essência! E o mesmo vale para o transporte de carga.

 

Mas, quais as consequências disso no transporte de cargas? Neste aspecto, os caminhões são responsáveis por mais de 60% de tudo que é deslocado por aqui. Apesar desse percentual ser um pouco inferior ao do transporte de passageiros, ele também evidencia a dominância muito significativa com relação aos modais: aquaviário, ferroviário, dutoviário e aéreo.

 

Essa cultura rodoviária gera um desbalanço da matriz de transportes brasileira que é prejudicial em diversos aspectos, ainda mais para um país dessa dimensão.

 

Um exemplo muito forte de aspecto prejudicial desse desbalanço pode ser verificado na recente paralisação dos caminhoneiros autônomos ocorrida em Fevereiro/Março deste ano. Produtos tiveram suas entregas atrasadas, perecíveis pereceram, preços foram reajustados, enfim, houve muitos prejuízos que poderiam ter sido minimizados se nossa infraestrutura logística fosse mais resiliente, se não fossemos tão dependentes do modal rodoviário.

 

 Greve dos Caminhoreiros em 2015

 

Dentre os inúmeros setores da economia que foram direta ou indiretamente prejudicados, um em especial chamou a atenção: a exportação de grãos.

Em miúdos: a paralisação de caminhões afetou não só a entrega dos produtos nos portos, mas a colheita e a armazenagem de soja e milho de plantações situadas a milhares de quilômetros de distância de qualquer porto marítimo por onde ocorrem as exportações!

 

Mas, ora... Não é novidade que transporte de commodities, ou de qualquer carga perene, de grande volume e em longas distâncias deveria ser realizado, em sua maior extensão, através dos modais aquaviário ou ferroviário, que (especialmente o primeiro) apresentam menor custo por tonelada, menor consumo de combustível por tonelada, menor índice de acidentes e de roubos, menor emissão de poluentes, dentre outros.

 

Este e outros exemplos de transporte contra intuitivos só acontecem por falta de opção, ou por falta de orientação adequada. Neste sentido, a possibilidade de se realizar um transporte multimodal de qualidade se apresenta como um elemento chave para o sucesso de uma cadeia de suprimentos, e devemos sempre considerar suas possibilidades de execução.

 

Mas, então, voltamos à pergunta: o caminhão é o vilão?

 

Não. Nem o caminhão, muito menos o caminhoneiro. O modal rodoviário é o mais flexível de todos, o ideal para transporte de cargas perecíveis ou de alto valor, perfeito para pequenas distâncias e indispensável para a realização de qualquer serviço de transporte porta a porta. A bandeira que se levanta é de que a cultura que necessita ser realmente instituída e adotada é a da intermodalidade, com caminhões (e todos os meios, claro) executando deslocamentos adequados à sua realidade operacional. As formas corretas de utilização complementar entre os modais só trazem vantagens, através de ganhos sociais, ambientais e econômicos a todos os envolvidos direta ou indiretamente.

 

 É, não é novidade para ninguém ...

 

Fontes: CNT – Confederação Nacional do Transporte, Guia Marítimo, Folha de São Paulo.

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