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Teleférico de contêineres poderá conectar Santos ao Planalto Paulista

09/11/2016

Em breve a Dersa deve abrir concorrência para tirar do papel uma nova alternativa para o transporte de contêineres de/para o Porto de Santos, por trilhos suspensos. Apesar de muito menos divulgada, a discussão em torno do teleférico de carga conectando o Porto de Santos ao Planalto Paulista é tão ou mais antiga do que a sonhada ponte (ou túnel) Santos-Guarujá. A verdade é que a transposição da Serra do Mar, que já era realizada pelos índios antes do século XVI, apresenta condições favoráveis para este tipo de transporte e desfavoráveis para os modais rodo e ferroviários – não à toa, o complexo Anchieta e Imigrantes é até hoje visitado pelos alunos de engenharia civil da Escola Politécnica da USP. O primeiro registro dessa percepção é de 1927, quando o engenheiro Asa Billings (sim, esse mesmo que você pensou) desenhou um teleférico que conectaria a Baixada ao sistema fluvial composto pelos (quase extintos) Rios Tietê e Pinheiros. Nos tempos modernos, a ideia do teleférico ganha ainda mais força por possibilitar uma redução drástica nas emissões de poluentes e exigir menor interferência na vegetação do Parque Estadual a longo prazo, já que o sistema pode ter sua capacidade aumentada sem grandes obras. Por fim, com a conteinerização da carga o sistema fica ainda mais simples e seguro.

 

A ideia do teleférico apareceu em minha vida em 2010, graças ao André Bozot, aluno da Faculdade e Arquitetura e Urbanismo que apresentou um belo trabalho de conclusão de curso sobre o tema, do ponto de vista urbanístico. Juntamos um grupo de amigos fizemos, no nosso trabalho de formatura, o dimensionamento do teleférico de contêineres, desde as estruturas até os pátios dos terminais, incluindo a escolha da melhor rota para conectá-los. O funcionamento do sistema é de fato bem simples: um ou mais cabos servem como trilhos sobre o qual as cabines deslizam, impulsionadas por outro cabo, de tração (como no vídeo abaixo). A grande sacada é que o mesmo cabo de tração é usado tanto na descida quanto na subida, que ocorrem simultaneamente, o que significa que a carga de descida acaba ajudando a elevar a de subida, diminuindo o trabalho do motor e a tensão no cabo. Isto não ocorre, evidentemente, se o lado da descida estiver com carga inferior ao da subida, portanto é importante escolher inteligentemente a ordem dos contêineres carregados em cada ponta o sistema. Por isso, no nosso estudo sugerimos que os terminais, localizados nas extremidades do teleférico, contem com sistemas de inteligência na programação das cargas e com capacidade suficiente para ter um estoque “pulmão”, onde os contêineres ficariam temporariamente armazenados até o momento de sua elevação.

 

 

O sistema que dimensionamos operaria apenas com contêineres de 20 pés, à capacidade máxima de 145 TEUs (contêineres de 20 pés) por hora, ou 820 mil TEUs ao ano por sentido (subida ou descida) considerando os tempos de manutenção e parada por intempéries. Na época, o teleférico proposto atenderia com bastante folga a demanda do Porto para esse tipo de contêiner, diminuindo o tráfego de caminhões na Serra e eliminando a emissão de mais de 20 mil toneladas de gás carbônico ao ano na região. Já o projeto que embasará a licitação, da Eaglerail Container Logistics, prevê capacidade de 500 TEUs/hora, o que parece bastante ousado se este número for por sentido. De qualquer forma, mesmo considerando 250 TEUs/hora por sentido o sistema seria capaz de desafogar os terminais imediatamente, principalmente se o desembaraço aduaneiro for realizado no Planalto, como mencionado na reportagem da Tribuna. Estamos aguardando para conhecer os detalhes do projeto, que deve (ou deveria) contar com modelos de simulação dos terminais da Baixada e do Planalto.

 

 

Fontes:

 

Leopoldo Figueiredo em matéria para A Tribuna, de 28 de outubro de 2016.

 

NOBRE, A.; MARQUES D.B.; CAVALCANTI, L.B.; SILVA R.J.M.; YAMAMOTO, R.M. Estudo de teleférico de contêineres para o Porto de Santos. São Paulo: Escola Politénica da USP, 2011. Trabalho de conclusão de curso, disponível na íntegra aqui.

 

CODESP ​Movimentação do Porto de Santos em 2015 e 2016.

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